Volte um pouco no tempo. Vá ao início dos anos 1990. Os computadores pessoais (PCs) finalmente chegavam para os consumidores. Você se lembra da revolução que eles causaram em diversas áreas de atividade? E no ensino? Você se lembra do divisor de águas que foi a disponibilização de computadores nas escolas e no ensino das universidades?

Pois é! Já passamos da fase da “alfabetização tecnológica” e vivemos uma época com infinitas possibilidades de aplicações, de equipamentos, de sistemas, de aplicativos mobile.

Em um futuro próximo, algumas tecnologias vão alterar significativamente como lidamos com o ensino nas universidades. Da computação em nuvem (cloud computing) à realidade aumentada, passando por impressoras 3D e aplicações de jogos, os ambientes de ensino universitário serão significativamente afetados. 

Acompanhe a seguir algumas delas!

Computação em Nuvem

A computação representou um avanço tecnológico imenso em todo o mundo. A partir dela, as organizações não precisam mais investir em infraestrutura interna e contratar capacidades tecnológicas (infraestrutura, equipamentos, sistemas etc.) como serviços, pagando apenas o que utilizam, como pagam pela energia elétrica ao invés de ter seu próprio gerador, por exemplo.

Nas universidades, a computação em nuvem aumenta notavelmente a capacidade de aprendizagem dos alunos. Com esta tecnologia, abordagens de ensino e estratégias inéditas estão sendo utilizadas em larga escala, com baixo custo, rapidez e segurança da informação.

Com uma infraestrutura em cloud computing, as instituições podem incluir abordagens de aprendizagem colaborativa, onde os alunos são capazes de trabalhar com pessoas em outras localidades, a fim de alcançar um objetivo comum.

Ela dá mobilidade aos dirigentes, professores e alunos, que podem acessar plataformas de ensino em qualquer dispositivo móvel em qualquer lugar (em que há conexão com a web) e em qualquer horário.

Impressoras 3D

A tecnologia 3D, que abarca impressoras, scanners e canetas, por exemplo, está revolucionando as salas de aula. Com uma impressora, por exemplo, os alunos das mais diversas áreas de estudos podem imprimir objetos criados por eles em arquivos virtuais e até objetos históricos, como o caso do artista que imprimiu a famosa orelha de Van Gogh, descrito em uma reportagem do Huffington Post.

Poder projetar e imprimir objetos também facilita a abordagem didática dos professores. Eles se beneficiam do estímulo visual dos artefatos, podem trabalhar o pensamento construtivo de soluções de problemas e estimular atividades colaborativas.

No campo das pesquisas medicinais, um exemplo mundialmente conhecido é o dos médicos chineses queimprimiram num laboratório da Universidade Politécnica Noroeste um osso (esterno) para implantar em uma paciente que sofria de um tumor.

As impressoras 3D também podem colaborar com os esforços de inclusão de alunos com deficiências visuais, por exemplo.

Realidade Virtual e Realidade Aumentada

A realidade virtual transporta as pessoas para um ambiente 3D totalmente fictício, proporcionando uma experiência tridimensional que possibilita simular movimentos, imagens e sons. Para isso, é necessário um equipamento especial e óculos do tipo RIFT (com tecnologia Head-mounted display, ou HMD).

Já a realidade aumentada está diretamente ligada ao real. Como o próprio nome diz, trata-se do aumento, da expansão, da realidade. Em outras palavras, um sistema especializado transporta o mundo tridimensional para o mundo real.

Estas duas abordagens tecnológicas podem ser utilizadas em sala de aula para diversos fins. Com a realidade virtual, alunos podem visitar o Museu do Louvre, em Paris, sem sair da universidade.

Com a realidade aumentada, o professor pode apresentar objetos e lugares em forma de projeções em 3D que dão mais realismo às aulas e são capazes de prender a atenção dos alunos.

Gamificação

A gamificação, do inglês gamification, nada mais é do que a aplicação de dinâmicas de jogos e técnicas de design de jogos para envolver e motivar as pessoas a atingir objetivos específicos. Gamificar é transformar algo em um jogo interativo que estimule a competição e a colaboração.

Amplamente utilizada em ambientes corporativos, como call centers, para diminuir a rotina e estimular a melhoria contínua, a gamificação pode ser muito benéfica para as instituições de ensino superior.

Veja, a seguir, alguns benefícios da aplicação de jogos em sala de aula:

Aumento do entusiasmo para aprendizagem de matemática

O ensino de matemática é um grande desafio. Nem todas as pessoas têm uma aptidão natural para lidar com números. Por esse motivo, disciplinas muito atreladas aos conteúdos matemáticos podem sofrer grande resistência por parte dos estudantes.

Um estudo recente conduzido pela Universidade de Deakin afirma que usar a gamificação na sala de aula ajuda a dar aos alunos uma atitude mais positiva em relação à matemática em geral.

Melhoria na concentração dos alunos

Outro estudo recente do Jornal Australiano de Educação e Psicologia do Desenvolvimento revelou que gamification na sala de aula é especialmente útil para estudantes disruptivos que sofrem de défict de atenção (TDAH).

O estudo também indicou que os jogos voltados para ajudar os alunos a controlar a sua taxa de respiração e do coração teve um grande impacto na melhora do seu comportamento na sala de aula.

Avanços no pensamento científico

Um estudo realizado por pesquisadores da Kent State University e da Illinois State Univerity afirma que aplicar dinâmicas de jogos pode melhorar o engajamento e o pensamento científico em universitários.

Os pesquisadores envolvidos no estudo descobriram que jogos em vídeo podem ser vistos como um tipo de ferramenta cultural que é capaz de suportar três elementos fundamentais da literacia científica: o conhecimento do conteúdo, as habilidades de processo e a compreensão da natureza da ciência.

Além de criar um ambiente mais motivado por meio de feedbacks e recompensas, a gamificação é capaz de desenvolver fatores cognitivos como a habilidade de raciocínio dos alunos.

E aí? Você já havia pensado em quanto a tecnologia pode contribuir no ensino nas universidades? Deixe seu comentário para a gente!