Para mudar a cultura de uma nação, não bastam anos, mas gerações. Surgido na década de 60, o movimento feminista ainda é assunto nos dias de hoje.

Após décadas de luta, discussões sobre o assunto e alguns avanços, ainda temos muito que aprender com a tônica do movimento feminista, suas conquistas e aspirações, assim como com o comportamento da mulher.

A busca incessante de igualdade, respeito e direitos básicos não deveria ser razão para qualquer tipo de movimento ou organização. Mas, infelizmente, há um longo caminho a percorrer.

Previstos na Constituição Federal, os direitos sobre os quais falamos não precisariam ser requisitados. São direitos de todo cidadão.

Mas, como as lutas sempre fortalecem seus soldados, a mulher de hoje se apresenta muito mais forte, decidida e pronta a fazer uso de seus direitos e prerrogativas.

Todos temos a aprender com a luta do movimento feminista, não só praticando a igualdade como aplicando em nossas vidas as outras reivindicações.

Vamos citar algumas lições que podem ser aprendidas, e sua aplicabilidade na vida.

Promover a igualdade no trabalho

Direito básico e essencial, embora muitas vezes negligenciado, a igualdade no trabalho segue a premissa que todos somos iguais. Independentemente de raça, cor ou gênero, funções com as mesmas atribuições devem receber remuneração e condições de trabalho idênticas.

Oferecer condições de trabalho desiguais gera concorrência desleal e caracteriza discriminação.

Não falamos apenas de empregadores e superiores, mas todos devemos oferecer condições de trabalho aos demais, independentemente de gênero, raça ou outra condição. Devemos promover a igualdade por meio da atenção que dispensamos, cordialidade e coleguismo.

Igualdade no trato diário, no respeito e, principalmente, no tratamento profissional devem ser rotina, assim como evitar pejorativos e brincadeiras por motivos espúrios deve ser prática constante, sem exceções.

Respeitar as decisões dos outros

Conceito fundamental do movimento feminista, essa premissa conseguiu quebrar paradigmas em relação a decisões relativas às mulheres, que anteriormente sofriam inferência de família, maridos, sociedade e governo.

A discussão desse tema levou à conquista do direito de votar e ser votada, de decidir trabalhar ou permanecer cuidando de casa e da família e – acreditem – se queria ou não se casar.

Uma grande lição a ser aprendida é o respeito às decisões dos outros. Somos seres únicos, com ideias particulares e modos de vida distintos. Esses aspectos interferem em nossas decisões, e, assim como esperamos ser respeitados, é nosso dever respeitar as decisões dos demais, estejamos ou não envolvidos no processo.

Nossas decisões são soberanas, e ninguém pode interferir. Porquê não agir assim com o próximo?

Aceitar a diversidade de pensamentos e escolhas

Cada um de nós cresceu com uma educação e criação ímpar. Mesmo irmãos que conviveram juntos por anos tem seu jeito de ser totalmente particular. 

E, se ninguém é igual ao outro, nossos pensamentos e escolhas obviamente não o serão.

Uma das características mais marcantes da mulher atual é, sem dúvida, a atitude. Atitude é pessoal e intransferível!

Ter atitude significa saber o que quer e o que deve fazer para alcançar seus objetivos, que também são muito pessoais. E, como todos temos nossos objetivos, temos também nossos meios de alcança-los.

Por isso é tão importante o respeito à diversidade de escolhas. Se não sabemos quais são os objetivos de vida do outro, seremos prepotentes o suficiente para interferir?

Os pensamentos tem a ver com a história de vida, lutas, sofrimentos e vitórias. A maneira como lidamos com tudo isso influencia em nossa forma de pensar, portanto nossos pensamentos carregam toda essa carga de emoção própria, inerente apenas a nós mesmos!

Exigimos respeito à nossa maneira de pensar. Mas para conquistar esse respeito precisamos aprender a respeitar escolhas e formas de pensar dos demais.

Não minimizar a dor do outro

Quem consegue sentir a dor de outra pessoa? Se, no máximo, podemos ter uma ideia desse sentimento, não sabemos o quanto a dor do outro o aflige. Situações que para nós seriam corriqueiras, em virtude das experiências de vida muito particulares, para outros podem ser extremamente dolorosas. E vice-versa.

Julgar se a situação é muito ou pouco traumática demonstra desrespeito ao sofrimento alheio. Não nos compete analisar e julgar o que causou o sofrimento, se houve culpa, ou o tamanho do desafio.

Não seremos nós a lidar com a situação.

Aceitar o “empoderamento” do outro

Chorar com os que choram pode até ser fácil, mas algumas vezes temos dificuldade em sorrir com os que se alegram. Especialmente se forem nossos pares ou pessoas de nosso relacionamento.

Presenciar o crescimento do outro, seja no ambiente corporativo ou na faculdade, deve ser motivo de comemoração. Mas porquê isso não acontece sempre?

Algumas pessoas se sentem diminuídas quando o outro se “empodera”. Podemos aprender com o movimento feminista que o ganho é de todos. As conquistas não são propriedade de um indivíduo, mas coletivas.

A ascensão de pessoas próximas a nós significa que estamos andando com as pessoas certas. Se nossa vez ainda não chegou, com certeza chegará.

E tenha certeza que muitas pessoas se alegrarão com você.

Cooperar para a plena liberação do próximo

O movimento feminista muito lutou pela liberdade de escolha. Mas essa liberdade envolvia a liberação, a retirada de cargas que foram colocadas durante décadas sobre os ombros de mulheres, que se cansaram de tanto peso.

Acumulamos muitos fardos durante a vida. Traumas de infância, adolescência, situações mal resolvidas, frustrações na fase adulta e insucessos.

Quanto mais pesos tirarmos de nossos ombros, mais leves nos sentiremos, mais ágeis seremos e mais longe poderemos chegar.

Essa conquista da mulher nos ensina que a vida pode ser melhor para todos. Se conseguimos nos livrar de fardos excessivos, devemos cooperar para que outros também se vejam livres de seus pesos.

Afinal, não é melhor conviver com pessoas alegres, leves e com mais motivos para sorrir do que se lamentar?

Liderar sem pessoalidade

As lutas do movimento feminista foram motivadas pelo conjunto. Assim deve ser também a liderança.

Liderar com base na pessoalidade significa ser parcial, agir com pesos e medidas diferentes. Lidar com pessoas diferentes requer ações diferenciadas, mas todas dentro da mesma política.

O movimento feminista não teve apenas uma líder, mas várias. Esse é um sinal que a liderança não estava vinculada a uma pessoa, mas a conceitos. Qualquer que fosse a líder, em momentos diferentes, teria os mesmos objetivos a alcançar.

Ao liderar, devemos faze-lo sem deixar que a pessoalidade favoreça uns e desfavoreça outros. Podemos agir de maneiras diferentes por identificação com determinadas pessoas, mas sempre de forma imparcial, concedendo a todos os liderados o mesmo grau de respeito e atenção.

Ainda existem batalhas a vencer. O movimento feminista não completou a tarefa. Mas o que vemos hoje é uma mulher forte sem perder a humanidade, persistente sem abrir mão da sensibilidade e determinada a atingir seus objetivos. Sem se esquecer de sua identidade.

Poderemos ser também assim? Seremos capazes de desenvolver a sensibilidade e humanidade sem o medo de parecer fracos e efêmeros?

Mostre que você pode. Compartilhe com outros homens capazes de mudar. E evoluir.