Até pouco tempo, as impressoras 3D eram equipamentos que faziam parte de um futuro maravilhoso, coisa de filme de ficção científica. Hoje, não mais; a impressão em três dimensões está revolucionando vários segmentos de mercado e trazendo soluções reais para as pessoas. No Brasil, já há vários fabricantes que competem em qualidade com grandes produtores internacionais. 

Da criação de protótipos a produtos finalizados, vários segmentos de atuação vêm ganhando com a rapidez e com a economia de investimentos proporcionados por ela. Um deles é o ensino, sobretudo, universitário.

Neste artigo, vamos falar sobre o uso de impressoras 3D nas universidades brasileiras. Como elas podem ser utilizadas como ferramentas para beneficiar o ensino? Elas já são utilizadas em sala de aula? Acompanhe os tópicos a seguir!

Impressoras 3D nas universidades: um breve panorama

Instituições importantes de ensino universitário em todo o mundo já contam com impressoras 3D para diversas finalidades. Realizado em 2014, um estudo do New Media Consortium descobriu que naquele momento universidades dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Austrália e de outros países desenvolvidos já adotavam a tecnologia 3D (impressoras, scanners, canetas etc.) para educadores centrarem a atenção do ambiente virtual no mundo real.

Objetos impressos em 3D podem trazer aos alunos a chance de tocar e sentir suas próprias criações — especialmente em cursos de Design e de Engenharia. Essa tecnologia também permite que os estudantes materializem objetos que só são vistos em fotografias e gravuras ou fazem parte apenas do imaginário.

Considerando o estímulo visual e o poder de criar protótipos, o ganho que as universidades têm com a ferramenta pode ser muito alto. Isso tudo com custos controlados, sem a necessidade de chamar um fornecedor externo ou adquirir ferramentas específicas, por exemplo.

E não são somente os cursos que formam profissionais para o segmento industrial que estão se beneficiando com isso. Veja este exemplo da Medicina: em um laboratório da Universidade Politécnica Noroeste, na China, médicos imprimiram um osso (um esterno) de titânio para atender a uma paciente que sofria por causa de um tumor. A notícia ganhou o mundo no início de 2015. Este é um dos muitos casos em que as pesquisas medicinais feitas nas universidades estão se beneficiando das impressoras 3D.

Um exemplo brasileiro? Na Universidade de Brasília (UnB), estudantes de Engenharia Elétrica foram além do campo da observação: eles criaram um protótipo de impressora 3D capaz de imprimir casas de até 50m².

Com o custo de apenas R$ 3 mil, os acadêmicos chegaram ao que seria uma impressora de alta potência, capaz de encurtar o tempo de construção de habitações populares. Isso, em médio e em longo prazo, pode mudar a perspectiva do problema de moradia no país.

Como impressoras 3D podem beneficiar o ensino universitário?

Se no tópico anterior tivemos um panorama de como as impressoras 3D estão revolucionando o ensino universitário, agora, vamos a dois grandes benefícios já percebidos que elas podem trazer ao processo de aprendizado, de acordo com o New Media Consortium:

Impressoras 3D estão revolucionando as formas de ensinar e de aprender

Alunos e professores dos setores universitários podem utilizar a tecnologia 3D como ferramenta pedagógica tanto para aprender quanto para explorar assuntos diversos em muitas disciplinas. O New Media Consortium, que é uma comunidade internacional de especialistas em tecnologia educacional, acredita que há uma mudança pedagógica em curso.

Antes, pensava-se nas coisas do mundo virtual para trabalhar e projetar coisas para o mundo real. Agora, estas coisas podem ser tocáveis e, assim, podem servir de base para um nova forma de aprender, de ensinar e até ajudar na inclusão dentro das universidades. Alunos portadores de deficiências visuais, por exemplo, podem se beneficiar muito com esse novo método de trabalho.

Num comparativo com a chegada dos desktops no início dos anos 1990 para o mercado consumidor, quando novas oportunidades de ensino e aprendizagem surgiram, é possível afirmar que as impressoras 3D também estão trazendo uma revolução para diversos campos do ensino.

Impressoras 3D trazem um ambiente mais colaborativo e construtivo para a sala de aula

Cursos de graduação em Engenharia Mecânica, por exemplo, ao empregarem impressoras 3D como ferramenta pedagógica podem aumentar o envolvimento dos alunos, enfatizar o aprendizado colaborativo, aumentar a exposição à resolução de problemas, desenvolver habilidades e produzir conhecimentos. Também o que hoje é conhecido como processo de “design interativo” é potencializado com esta tecnologia.

Ou seja, projetar no virtual, imprimir e testar se torna um processo bem mais rápido. A partir disso, redesenhar e reformular quantas vezes forem necessárias, até atender às expectativas do produto e de suas funcionalidades, não é mais um problema.

O processo interativo é pensado para aumentar a inovação em projetos, estimulando um pensamento voltado para a resolução de problemas — livre de preocupações com a construção de protótipos.

Com as impressoras 3D, o aluno imagina em um ambiente prático, e isso pode ajudá-lo a analisar os problemas do mundo real. Essa tecnologia permite a  junção da teoria com a prática, em uma aprendizagem construtiva, que pode desenvolver pensadores criativos e críticos.

10 exemplos práticos de como as impressoras 3D podem beneficiar a educação

Agora, vamos a alguns exemplos práticos de como as impressões em três dimensões podem ajudar em sala de aula em diversos campos de estudos:

  1. Estudantes de Engenharia e de Design podem imprimir protótipos;

  2. Estudantes de Arquitetura podem imprimir modelos 3D de projetos;

  3. Estudantes de História podem imprimir artefatos históricos para exame;

  4. Estudantes de Design Gráfico podem imprimir versões em 3D de suas obras de arte;

  5. Estudantes de Geografia podem imprimir topografias ou mapas de população;

  6. Estudantes de Gastronomia podem criar moldes para produtos alimentares;

  7. Alunos de Engenharia Automotiva podem imprimir peças de substituição ou exemplos de peças existentes para testes;

  8. Estudantes de Química podem imprimir modelos 3D de moléculas;

  9. Os estudantes de Biologia podem imprimir células, vírus, órgãos e outros artefatos biológicos críticos;

  10. Estudantes de Matemática podem imprimir “problemas” para resolver em seus próprios espaços de aprendizagem, a partir de modelos em escala de projeto e infraestrutura da cidade etc.

E aí, gostou de conhecer o poder das impressoras 3D para a educação? Deixe seu comentário!