Você consegue imaginar que houve um momento na história das universidades em que os trabalhos deviam ser apresentados em cartolina, com desenhos e colagens para permitir a materialização daquilo que era dito?

Consegue pensar em como fazer um trabalho 100% baseado em pesquisas manuais, em livros, sem nenhum apoio da tecnologia (nem mesmo para encontrar o livro desejado na prateleira da biblioteca)? 

A tecnologia revolucionou a maneira como os alunos interagem uns com os outros, com a universidade, com o conhecimento e até consigo mesmo. Se, antes, as pessoas utilizavam diários para desabafar e aliviar o stress para externalizar um sentimento, agora, as redes sociais passaram a ser usadas para essa função. Se, antes, reuniões de estudo ajudavam os alunos a fixarem melhor as matérias, hoje, os grupos no Facebook ou no WhatsApp assumiram este posto e os grupos presenciais passaram a ser reforços do digital.

A questão é: as universidades estão prontas para esse uso massivo da tecnologia e das interações digitais no processo de aprendizagem dos alunos?

Vamos entender alguns dos principais recursos usados atualmente nas universidades, suas vantagens e os desafios que geram tanto para os alunos, para os professores e para a estrutura do campus.

1. Internet

É difícil imaginar como seria a vida sem o acesso à internet, não é mesmo? As universidades já perceberam as oportunidades que a conexão 24 horas no dia, por 7 dias da semana traz para os professores e para os alunos.

Tanto é que, atualmente, toda a vida acadêmica é acompanhada online, mesmo para disciplinas cursadas presencialmente. Além disso, é comum que os cursos contem com matérias presenciais e à distância .

Por outro lado, a internet trouxe 3 desafios para dentro da vida acadêmica:

Questionamento da notoriedade do professor

Antigamente, o professor era visto como alguém inquestionável e alguém com conhecimento acima do comum. Porém, com um grande número de smartphones e computadores portáteis nas salas de aula, ele pode ser rapidamente confrontado com uma informação extraída da internet.

O desafio aqui é tornar o professor extremamente conectado com as atualizações de sua área, além de orientar os alunos a pesquise em fontes confiáveis, em vez de tentar encher suas cabeças com conteúdos, muitas vezes, desconexos. Se, antes, quem sabia mais se dava melhor, agora, quem melhor sabe pesquisar é que se dá bem!

Revisão da rotina e dos processos universitários

As relações digitais são marcadas pela instantaneidade. No passado, um e-mail poderia demorar dias para ser respondido, mas, atualmente, os chats, os inbox, as SMS e os apps criaram um ambiente em que as interações acontecem instantaneamente.

Ainda é uma dificuldade para as insitituições de ensino terem um grupo de tutores ou de funcionários que possam dar esse tipo de tratamento aos alunos. Assim, muitos estudantes se queixam da falta de transparência e de interação com a universidade. Isso ocorre nos portais desenvolvidos para visualizarem seu progresso acadêmico, suas notas, seus envios de relatórios ou seu acesso a outros documentos e solicitações.

Sensação do tempo favorável

Dada a dificuldade em se obter informações, redigir os trabalhos e contar com a revisão de colegas, a elaboração de tarefas acadêmicas era marcada por um sentimento de urgência e prioridade no passado.

Atualmente, a internet possibilitou que pesquisas sejam realizadas em milésimos de segundos e que o aluno copie e cole trechos enormes de referência com apenas alguns cliques.

Isso causou a sensação do tempo favorável, em que mesmo 15 minutos antes de entregar um trabalho, o aluno ainda acredita que pode escrevê-lo, imprimi-lo e entregá-lo. Essa prática tem favorecido uma quantidade enorme de plágios e de trabalhos superficiais, que não cumprem sua missão de aprofundarem os conhecimentos desenvolvidos na sala de aula.

Dada essa nova dinâmica, os professores devem encontrar formatos de trabalhos que envolvam mais o aluno, que sejam mais interativos e que tenham a pesquisa como base para seu desenvolvimento e não como um fim em si mesma.

Cloud computing na educação

A computação em nuvem tem revolucionado a maneira como as pessoas criam, usam, compartilham e revisam documentos por meio da tecnologia na educação. Se, antes, os arquivos precisavam ser trocados via dispositivos físicos, como CD-ROMs, pendrives, disquetes ou HDs externos, atualmente, é possível usar o Google Drive, o OneDrive ou o Dropbox para compartilhar e editar arquivos.

A revolução promovida neste sentido é que grupos de estudo ou de trabalho, bem como o processo de elaboração de artigos, textos ou apresentações acadêmicas pode ser acompanhado por todas as pessoas do grupo e pelo professor. Também, é possível que mais de uma pessoa escreva partes distintas do trabalho, simultaneamente, sem que uma atrapalhe o processo da outra.

Se duvida que isso seja possível, então, acesse o Google Drive, crie um documento e convide um amigo para testar com você.

O acesso aos documentos também mudou. Se, no passado, a desculpa que o trabalho impresso foi esquecido era algo convincente, agora, ele pode ser compartilhado e entregue usando um smartphone.

Em todo o caso, o desafio está em permitir que alunos e professores tenham acesso e sejam treinados para utilizar tecnologias que já estão mudando a maneira como outros segmentos produzem e interagem com suas equipes e com seus públicos.

Movimento BYOD

O movimento BYOD (Bring Your Own Device) está levando cada vez mais tablets e smartphones para o interior das universidades, requerendo que senhas de acesso às redes locais de internet sejam fornecidas.

Se, por um lado, esse movimento agrega produtividade e interação aos estudos, ao permitir que os alunos utilizem aplicativos, como o Evernote ou o OneNote — que arquivam desde conteúdos escritos até gravações com marcações de assunto ou páginas e imagens da web —, por outro lado, eles facilitam a distração com seus acessos e alertas sobre o que está acontecendo em suas redes sociais.

O desafio gerado neste sentido é duplo: primeiro, com a quantidade crescente de dispositivos acessando a rede das universidades, riscos de ataques cibernéticos ou até de sobrecarga em sua capacidade operacional estão mais crescentes; e segundo, criar uma política de BYOD que preveja restrições ao uso de possíveis aplicativos e sites que possam desviar a atenção dos alunos, fazendo com que eles percam interesse no conteúdo da aula.

Antes, a questão mais ouvida nas universidades era sobre o uso ou não de tecnologia na educação, agora, ela passou a ser sobre como usá-la!

Quais aplicativos e tecnologias você usa em seus estudos? Acredita que utilizar esses apps ajuda a aumentar sua produtividade acadêmica? Compartilhe sua experiência nos comentários!