Os cursos de Relações Internacionais (RI) e Comércio Exterior estão entre as suas principais opções para iniciar uma graduação, mas você não sabe muito bem o que difere um do outro? Fique tranquilo, pois essa confusão inicial é mais comum do que você imagina.

Depois de ler este texto, você perceberá que, na prática, essas áreas até se aproximam, mas são bem diferentes em suas essências.

Então, se você está na dúvida sobre qual desses cursos escolher, vamos explicar, no texto de hoje, o conceito e a prática de ambos para ajudá-lo a decidir o melhor caminho. Vamos em frente!

Relações Internacionais

O curso de Relações Internacionais tem uma veia mais política e diplomática. As graduações são oferecidas na modalidade bacharelado e tratam da condução das relações políticas, sociais, econômicas, culturais e militares entre povos, governos e empresas de diferentes países.

O curso prepara o aluno para estudar os riscos de cada país, entender os cenários políticos globais, avaliar as vantagens e desvantagens do ponto de vista político e econômico para o seu país; enfim, tudo o que pesar na decisão antes e durante a negociação de acordos internacionais.

A visão do curso de Relações Internacionais é mais ampla. Não basta conduzir um acordo internacional apenas pensando nas vantagens financeiras para o seu país, mas também é preciso analisar todo um contexto social, político e cultural de outras nações envolvidas nas negociações.

A opção por abrir, continuar ou cortar um determinado tipo de relação com outros países também passa pelos conhecimentos e avaliações do profissional de Relações Internacionais. Cabe a ele planejar e ajudar a decidir, por exemplo, se é vantajoso para o Brasil continuar um acordo financeiro bilateral com um país emergente ou passar a oferecer um apoio militar para algum vizinho que esteja em conflito.

Objetivos profissionais

Se entrar no mercado de trabalho como um graduado em Relações Internacionais, você terá a possibilidade de trabalhar tanto na área pública quanto na privada. Profissionalmente, sua colocação poderá variar desde um assessor de RI até um diplomata.

Você pode optar por uma carreira em entidades e instituições do governo, como embaixadas, consulados, ministérios, secretarias de estado, governo federal e governos estaduais e municipais.

Na esfera privada, há as chances de trabalhar em bancos, empresas multinacionais, agências de câmbio, seguradoras internacionais, etc. Nesses casos, por mais que a questão econômica tenha uma relevância enorme nos acordos, ainda há de se analisar o impacto que tais negócios podem gerar na cultura interna da empresa e na imagem dela para o mercado, por exemplo.

Por fim, ainda vale ressaltar as oportunidades em instituições internacionais e em organizações não governamentais, como a Unicef, a  World Wide Found for Nature (WWF), a Organização das Nações Unidas (Onu) e o Fundo Monetário Internacional (FMI); além das instituições de ensino, como as universidades, para quem pretende ser professor do curso de Relações Internacionais.

Matérias estudadas na graduação

Como se trata de um curso mais politizado, as disciplinas de Relações Internacionais se voltam mais para as Ciências Humanas e Sociais, como Ciência Política, Economia, Direito Internacional, História das Relações Internacionais, Sociologia e Comércio Exterior. O mercado é um dos diversos pontos estudados na graduação de RI.

A parte mais prática é percebida, por exemplo, em simulações de negociações e acordos políticos, econômicos e diplomáticos.

Comércio Exterior

O curso de Comércio Exterior, ou simplesmente Comex, já tem uma cara mais administrativa e voltada para os negócios. A graduação pode ser tanto na modalidade bacharelado quanto tecnológica, justamente por ser uma formação mais específica.

O Comércio Exterior trata dos métodos para que os acordos das Relações Internacionais aconteçam. Ou seja, Comex seria uma área complementar a de RI.

O enfoque desse curso está na dominação dos métodos e estratégias de negócios entre governos, empresas e instituições não governamentais. Essa graduação prepara os alunos para fazerem os acordos acontecerem na prática, cuidando de detalhes como a análise de tendências do mercado, elaboração de estratégias de marketing e, principalmente, coordenação da logística dessas negociações.

Cabe ao bacharel ou tecnólogo do curso de Comércio Exterior atuar na identificação de oportunidades de negócio em outros países, na negociação de preços, formas de pagamento e prazos de entregas com fornecedores e outros governos. Também é sua função atuar na parte mais operacional, como no despacho para importação e exportação de mercadorias.

Objetivos profissionais

Assim como para o profissional de Relações Internacionais, a carreira do formado em Comércio Exterior pode se dar tanto na esfera pública quanto privada. Além das empresas e instituições citadas no mercado de trabalho para RI, há a possibilidade de trabalhar para agências de importação e exportação, portos, varejistas internacionais, empresas de logística internacional e em casas de câmbio.

O campo de atuação é amplo e o profissional em Comex pode atuar, por exemplo, tanto na cotação de moedas quanto na consultoria para empresas internacionais que se instalam em um país diferente e procuram se adaptar à nova cultura.

O assessor, analista ou executivo em Comércio Exterior se assemelha à figura de um administrador, que cuida especificamente das negociações e operações de acordos comerciais internacionais, principalmente exportações e importações.

Disciplinas do curso

Como é um curso mais focado para as questões do mercado, as disciplinas se aproximam mais das Ciências Exatas, como Matemática Financeira, Estatística, Administração e Contabilidade; além de outras áreas fundamentais, representadas em matérias como Marketing Internacional, Logística Internacional, Legislação Aduaneira, Economia e Comunicação Empresarial; e disciplinas vistas também na faculdade de Relações Internacionais, como Direito Internacional e Sociologia.

A graduação tecnológica de Comércio Exterior tem um cronograma mais enxuto, mas ainda assim engloba os conceitos básicos de Comércio Exterior, assim como as disciplinas ligadas ao Marketing Internacional, Logística, Economia, Empreendedorismo e Direito, Comportamento Organizacional, etc.

A parte mais prática do curso também pode acontecer com simulações em aula ou em visitações técnicas às empresas do setor de Comex ou cuja atuação é ligada a ele.

Relações Internacionais e Comércio Exterior: qual é a melhor opção

Antes de mais nada, saiba que ambos exigem bastante leitura e uma boa fluência em pelo menos uma língua estrangeira, especialmente a inglesa. Também é fundamental gostar de aprender sobre culturas e leis de outros países, acompanhar as notícias internacionais e ter uma visão global e estratégica do mercado externo.

Em relação ao mercado de trabalho, como o Brasil busca dar uma volta por cima na economia, uma das tendências é a busca por revisões, renovações e aberturas de novos acordos internacionais. O mesmo vale para as empresas que estão ampliando o seu campo de atuação em nosso país e para as companhias nacionais que expandem seus negócios para outras nações. Enfim, as duas áreas continuam sendo muito promissoras.

A escolha também dependerá bastante do seu gosto em relação às disciplinas. Se você acredita que tem uma veia mais direcionada para a logística e outras Ciências Exatas, o curso de Comércio Exterior é mais vantajoso. Agora, caso as relações políticas e diplomáticas entre os países te interessem mais, vá pelo caminho de RI.

Relações Internacionais e Comércio Exterior são áreas bem diferentes e, ao mesmo tempo, complementares. Elas se diferem em seus enfoques durante a graduação, mas, no mercado de trabalho, são setores que atuam próximos, tanto que as oportunidades se concentram nas mesmas entidades e empresas. Cabe a você decidir se segue para o lado diplomático ou mercadológico.

Agora que você sabe as diferenças entre os cursos de Relações Internacionais ou Comércio Exterior, assine a nossa newsletter para receber mais dicas como essas em seu e-mail!