Desde meados de 2016, muito se falou sobre a reforma curricular do Ensino Médio. De fato, a proposta é muito polêmica, tanto por ser uma mudança muito profunda nas escolas quanto por ter sido anunciada pelo Ministério da Educação como uma medida provisória.

No risco de a MP ser aprovada, quem planejava se inscrever no ENEM nos próximos anos já começa a temer por grandes transformações na prova.

Por isso, elaboramos esse texto para você entender melhor todo esse processo e começar a se preparar para as possíveis novidades do exame. Continue lendo e confira!

Do que trata a reforma curricular

Apresentada no dia 22 de setembro de 2016, A MP 746 dita uma série de alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que rege os princípios e o funcionamento do nosso sistema educacional — tanto público quanto privado.

As principais mudanças propostas atingem o Ensino Médio, sendo elas:

Vale lembrar também que o fato do projeto ter surgido como medida provisória ressalta um caráter de urgência por parte do atual governo federal, o que pode se relacionar com o momento de instabilidade política pelo qual o país está passando.

E já dá pra imaginar os impactos que essas mudanças podem causar! É possível prever as consequências da MP 746 em questões como a adequação dos espaços escolares à proposta, a remuneração e a carga horária dos professores, e até a elitização do Ensino Médio.

Mas então, você já parou para pensar que a reforma curricular pode afetar o ENEM também?

O que aconteceu em dezoito anos de ENEM

De fato, desde que foi criado em 1998, o ENEM mudou bastante. Para você ter uma ideia, até o ano de 2008, a prova contava com apenas 63 questões de cunho interdisciplinar e uma proposta de redação a serem respondidas em um dia.

A sua reformulação ocorreu quando o exame deixou de ser só um indicador de qualidade do Ensino Médio no Brasil, para se tornar também a principal forma de ingresso no ensino superior público e privado.

A nota do ENEM também já serviu de critério em processos seletivos de vários programas do governo como o ProUni e o FIES. E, desde 2009, é utilizado também como meio de obtenção do certificado de conclusão do Ensino Médio para jovens e adultos.

Por conta de tudo isso, a adesão à prova só vêm aumentando, de forma que o número de inscritos mais que dobrou nos últimos oito anos, ultrapassando a marca dos 8 milhões.

Ou seja, olhando para trás, percebemos que a prova se transformou para se adequar às políticas públicas de educação. Então, o que será que podemos esperar com a reforma curricular do Ensino Médio?

O que esperar dos próximos exames

Levando tudo isso em consideração, reunimos aqui três mudanças com as quais você provavelmente vai se deparar quando for prestar o ENEM nos próximos anos. Vejamos:

1. Provas específicas para cada área

Um dos carros-chefe da proposta — e que vem causando bastante alvoroço nos estudantes — é a possibilidade de cada aluno escolher, já no Ensino Médio, uma área do conhecimento para se aprofundar.

Dessa forma, os alunos cumpririam um currículo comum, composto pelas disciplinas obrigatórias, e o complementariam com matérias específicas nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou formação técnica e profissional.

Assim, se os candidatos do ENEM não terão todos a mesma formação, uma consequência muito provável para o exame é que ele ofereça provas que contemplem, além do currículo básico obrigatório, os conhecimentos das áreas específicas em separado.

Além disso, é possível também que as questões se tornem mais exigentes, para fazer jus ao estudo aprofundado previsto na escola. Ainda, é possível que surjam novas provas para integrar a nota do Sisu, junto ao ENEM, para cobrir o currículo complementar.

2. Exclusão de disciplinas e conteúdos

A MP 746 só institui como disciplinas obrigatórias no Ensino Médio a Matemática, o Português e o Inglês, e deixa a cargo da BNCC a obrigatoriedade das outras matérias nessa fase escolar.

Logo, uma vez que esse é um documento que pode vir a ser alterado no futuro com muito mais facilidade, a presença dessas outras disciplinas vai ser alvo de debate constante.

Isso significa que, de um ano para o outro, uma disciplina pode se tornar optativa ou mesmo desaparecer do currículo, dependendo dos interesses da equipe responsável pela elaboração da base curricular.

Dessa forma, os famosos debates que o ENEM tem o costume de promover por meio dos textos que compõem a sua prova serão de acesso de apenas uma parcela dos inscritos, e podem até desaparecer por completo.

Em 2015, por exemplo, o trecho de um texto de Simone de Beauvoir criou uma grande polêmica sobre as questões de gênero, e acendeu um debate sobre o assunto, que não ficou restrito aos alunos do Ensino Médio.

Eventos como esse apontam para um caráter não apenas avaliativo ou classificatório, mas também educativo da prova.

3. Ameaça à interdisciplinaridade

Um dos princípios do ENEM — até então — é que muitas de suas questões sejam interdisciplinares, isto é, capazes de incorporar os conteúdos de mais de uma disciplina nos seus objetivos de avaliação.

Dessa forma, o aluno é estimulado a mobilizar os seus conhecimentos de forma criativa e não-segmentada.

Contudo, depois da MP, com um currículo obrigatório composto apenas por Matemática, Português e Inglês, as oportunidades de interdisciplinaridade ficarão, obviamente, bastante limitadas.

Afinal, os conteúdos de Português se relacionam mais facilmente com os das Ciências Humanas do que com Matemática, e os de Matemática, por sua vez, estão mais próximos dos conteúdos das Ciências da Natureza.

Portanto, é possível especular que os próximos exames se tornem menos contextualizados e mais focados nos conteúdos.

Por enquanto, fique calmo!

Ainda que essas informações não tenham sido confirmadas, especula-se bastante que o ENEM não ficará imune à reforma curricular.

Sendo assim, é muito importante ficar atento ao destino do nosso Ensino Médio — já que as duas coisas estão intimamente ligadas —, principalmente se você planeja se inscrever no exame nos próximos anos. Ainda assim, não se desespere!

Caso a prova sofra, de fato, alterações, isso só acontecerá após a implementação das mudanças nas escolas — o que, por enquanto, está previsto apenas para 2018.

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