Todos aqueles que se preparam para o vestibular sabem como é difícil lidar com o volume de conteúdo que precisa ser absorvido em cada uma das matérias. Muitas vezes, parece impossível manter em mente tudo o que é necessário para fazer a prova, mas adotando boas técnicas, é possível fixar todo o conteúdo necessário e ir bem na prova.

Veja, a seguir, como guardar os conteúdos e arrasar na prova de vestibular:

Memória de procedimentos x memória declarativa

Nós temos dois tipos de memória principais, a memória de procedimentos e a memória declarativa. A primeira é aquela que lida com as ações realizadas por nós no dia a dia. É a memória dos hábitos que entra em ação sempre que fazemos algo comum no nosso cotidiano (escovar os dentes, dirigir, tomar banho).

Já a memória declarativa é aquela que podemos descrever por palavras ou ações — daí vem o nome. Sempre que nos lembramos de algo, é a memória declarativa que está trabalhando. É essa memória que mais usamos quando estamos estudando, e ela é dividida em três: a imediata, a de curto prazo e a de longo prazo.

Não vamos nos aprofundar nesse assunto porque não é nosso objetivo. O que você precisa saber é que, quando estudamos, as informações são guardadas na memória de curto prazo para que, depois, o cérebro decida se são suficientemente importantes para irem para a memória de longo prazo. É essa a diferença entre aquela informação que logo esquecemos, e aquela que fica guardada por muito tempo na nossa memória.

O objetivo das nossas técnicas será, portanto, dar ao cérebro sinais de que as informações que estamos absorvendo ao estudar para o vestibular são realmente importantes para serem guardadas na memória de longo prazo.

A importância da revisão para os estudos

São raríssimas as vezes em que nosso cérebro guarda uma informação importante de primeira, principalmente quando estamos estudando uma grande quantidade de conteúdos como no caso do vestibular. Isso acontece porque o cérebro não entende, estudando apenas uma vez, que todo aquele volume de informações é importante. Sendo assim, ele mantém tudo na memória imediata ou de curto prazo e logo descarta essas informações.

Quando você começa a estudar uma matéria, as disciplinas passadas começam a entrar no limbo do esquecimento. Por isso, é preciso estar sempre revisando o que você já viu, ao mesmo tempo em que absorve novos conteúdos. Dessa forma, você indica para o seu cérebro que a informação passada continua sendo importante.

A revisão reforça no cérebro que todos aqueles dados são importantes e que precisam ser armazenados. Ao ver e rever o mesmo conteúdo mais de uma vez, você fixa melhor as informações e consegue guardá-las para a realização da prova de vestibular.

Quando estamos na escola, até conseguimos estudar toda a matéria necessária um dia antes da prova, mas no caso do vestibular o volume de matérias é muito maior. Sendo assim, é fundamental ter um esquema de revisão para vestibular bem estruturado.

O começo da revisão de um conteúdo

Há um meio-termo que deve ser encontrado para revisar uma matéria. Não é necessário reler o mesmo conteúdo várias vezes no mesmo momento — afinal, ele ainda está guardado na memória. No entanto, se você estiver com dúvidas sobre o conteúdo, releia. Do contrário, você estará perdendo um tempo que poderia ser aproveitado estudando outro novo conteúdo.

Por outro lado, também não é recomendável esperar muito tempo para revisar uma teoria pois, como vimos, o conteúdo é descartado da sua memória com o passar do tempo e se você não lembrar de mais nada na hora da revisão, terá que estudar tudo de novo como se fosse a primeira vez, deixando de otimizar o seu tempo.

Revise diariamente

Sim, nós falamos que não é preciso reler o mesmo conteúdo no mesmo momento, e isso é verdade. Nesse caso, você pode adotar métodos de revisão para vestibular rápidos para usar ao longo do dia. São incentivos que vão reforçar ao seu cérebro a importância da informação e ajudar a fixá-la.

A revisão diária não precisa de um momento específico para acontecer. Ela pode ser feita quando você está no ônibus, ao fim dos estudos com uma bateria de exercícios ou até mesmo escovando os dentes, dependendo da técnica a ser adotada.

Escolha um dia da semana para revisão

Vamos considerar um modelo em que você estuda conteúdos novos de segunda a sexta e separa o sábado para revisar esses conteúdos. É uma boa forma de organizar seus estudos, pois você terá sempre uma revisão do conteúdo mais recente independentemente de onde você estiver parado.

Revisar o conteúdo toda semana faz com que, no momento da revisão, a disciplina ainda esteja fresquinha na memória. Sendo assim, rever o conteúdo será mais rápido e produtivo.

O tempo de revisão para vestibular normalmente é menor do que o tempo necessário para estudar uma nova teoria, sendo assim, em um mesmo dia da semana, você conseguirá revisar conteúdos das mais variadas disciplinas.

Separe um dia do mês para revisar conteúdos antigos

O modelo de revisão por semana é fundamental, mas não é suficiente para fixar todo o conteúdo que você precisa. Na revisão na semana, você estudará o que você viu durante os últimos sete dias, mas o conteúdo das semanas anteriores não pode ficar para trás ou ele será esquecido.

Por isso, também é recomendável separar um ou dois dias do mês para dar uma boa revisada nesse conteúdo anterior. Nesse caso, talvez, a melhor forma de revisão sejam os exercícios — falaremos mais sobre as técnicas de revisão adiante.

Prova de vestibular: 5 técnicas para arrasar na revisão

Existem hoje diversas técnicas de revisão para vestibular que são eficazes e devem ser adotadas. Alguns métodos funcionam melhor com algumas pessoas do que com outras, portanto, é interessante testar cada um deles e ver qual é o mais adequado para você.

Outra dica importante é não escolher apenas um método de revisão. Você verá que alguns desses modelos permitem uma revisão mais profunda, enquanto outras são mais superficiais, para informações rápidas. Por isso, é fundamental combinar diferentes métodos para criar uma estratégia de revisão que seja eficaz.

Não tenha preguiça de revisar! Estudar muito sem revisar o conteúdo pode ser uma perda de tempo, pois ao final de todo o conteúdo programático talvez você nem se lembre mais do que estudou. Revise, revise, revise. Quando o desânimo bater, foque no seu objetivo para criar força de vontade.

1. Resumos

Os resumos são um método trabalhoso de revisão para vestibular, mas muito eficaz. Resumir é, basicamente, transcrever o conteúdo estudado e reler em outro momento, para absorver melhor as informações. Quando você faz um resumo, está separando as informações principais das secundárias, o que ajuda a focar seus estudos no que efetivamente importa.

O interessante é que o próprio exercício de ler o conteúdo, selecionar as partes importantes e transcrevê-las já é um grande reforço para que a informação seja fixada no seu cérebro, e a leitura posterior do resumo fecha o processo com chave de ouro.

Além disso, o resumo exercita a sua escrita, sua capacidade de síntese e faz com que você adquira novos vocabulários, e tudo isso será muito útil na hora de escrever a redação do vestibular.

Entretanto, por ser um método mais trabalhoso, muitas pessoas abandonam o resumo com o passar do tempo. Avalie honestamente se ele traz resultados positivos para você e, se sim, faça um esforço para manter a prática.

O resumo toma uma quantidade grande de tempo para ser produzido, e, como o tempo do vestibulando é escasso, se os resultados não forem positivos, é melhor focar em outras técnicas. Entretanto, a nossa experiência diz que o resumo costuma trazer sim bons resultados para a maioria dos estudantes.

2. Mapas mentais

Os mapas mentais foram concebidos na década de 1970 pelo inglês Tony Buzan e possuem diversas aplicações, sendo uma delas a revisão de conteúdo. São diagramas (preferencialmente, coloridos e com ilustrações) feitos pelo estudante, que deve organizar as ideias, sintetizá-las e hierarquizá-las de uma forma visualmente interessante.

Para fazer um mapa mental, será necessário uma folha em branco ou um software criado para isso — há diversas opções, inclusive online. Na internet, é possível encontrar mapas mentais prontos sobre os mais diversos assuntos, mas você aprenderá de verdade se fizer os seus próprios, pois o processo de produção é o mais importante em um mapa mental.

Além de usar cores diferentes e uma folha em branco, veja outras dicas para produzir o seu mapa mental:

  • Esteja atento aos principais conceitos e palavras-chave do conteúdo estudado;

  • Faça uma letra bem legível e grande, para agilizar as revisões;

  • Abrevie as palavras e use frases curtas — a leitura do mapa deve ser rápida;

  • Comece o seu mapa mental pelo centro e vá expandindo para as extremidades;

  • Use muitas imagens — o aspecto visual ajuda muito na fixação de conteúdos.

Inspire-se em outros mapas mentais disponíveis na internet para entender como eles funcionam e como desenvolver o seu, mas seja criativo e não copie. Como comentamos acima, o maior poder do mapa mental está no processo de criação.

Você pode usar os seus resumos como base para criação de mapas mentais, em um ótimo exemplo de como unir dois métodos de revisão para alcançar um resultado ainda melhor.

3. Flash cards

Os flash cards são um método interessantíssimo de fazer resumo que consiste em pequenos cartões com informações rápidas que podem ser transportadas para qualquer lugar. A ideia é que você possa consultar esses cartões rapidamente onde estiver, quando estiver ocioso.

Com os smartphones, os flash cards nem precisam mais ser físicos. Há aplicativos para todos os sistemas que permitem criar flash cards no próprio celular — e como ninguém sai de casa sem o seu, os flash cards estarão sempre no seu bolso.

Essa técnica é recomendável para informações rápidas e dinâmicas mas, ainda assim, importantes. Podemos citar como exemplo uma fórmula matemática, uma regrinha do português (escrita em poucas palavras) ou, ainda, o ano em que aconteceu um evento importante na história.

Os flash cards podem ser feitos em forma de joguinhos de perguntas e respostas também. Na frente, você escreve a pergunta — por exemplo, “qual foi o ano da independência do Brasil?” — e, no verso, a resposta a saber — 7 de setembro de 1822.

Esses cartõezinhos também podem ser fixados em lugares estratégicos da sua casa. A porta do guarda-roupas, o espelho do banheiro, o fundo do armário da cozinha… Sendo assim, você estará sempre exposto a essas informações e conseguirá guardá-las com mais facilidade, e ainda atribuirá a elas um contexto que tornará a lembrança mais fácil.

4. Técnica do realce

Essa é, provavelmente, a técnica mais simples até aqui, mas nem por isso deve ser desprezada. Até porque é uma das técnicas mais comuns e adotadas mesmo no estudo para o ensino médio.

Sua aplicação é bem prática: você destaca as informações mais importantes no material de estudo (livro, apostila, caderno etc.) com um marcador de texto ou sublinhando. Na hora da revisão, você utiliza o próprio material de estudo, mas lê apenas o conteúdo destacado para relembrar o que foi estudado.

O principal cuidado ao adotar essa técnica é sublinhar apenas o que realmente for importante, ou seja, as principais palavras e conceitos do material. É muito comum que, ao adotar essa técnica, os estudantes acabem com mais conteúdo destacado que não destacado. Ou seja: tempo perdido.

5. Exercícios, muitos exercícios!

O bom e velho exercício ainda é a melhor maneira de fixar o conteúdo na memória, pois leva o estudante a pensar, a investigar as alternativas e a recorrer ao material sempre que não encontrar uma solução. Muitos alunos não gostam de fazer exercícios pois, na hora da verdade, encaram o fato de que não estão preparados para a prova.

Ora, é melhor descobrir que você ainda não está preparado fazendo exercícios em casa do que na hora H, concorda? Por mais que você encontre dificuldades para achar as soluções, persista, volte ao material, estude de novo e continue tentando. Com o tempo, você perceberá claramente o seu desenvolvimento.

É muito recomendável recorrer a exercícios com gabaritos comentados, que não se atenham apenas a informar a resposta correta mas que expliquem o porquê de ser tal resposta. Se você tem acesso a algum professor — da sua escola, do cursinho pré-vestibular ou até mesmo um amigo —, leve para ele as suas dúvidas.

A revisão de um texto para uma redação épica

Em algum momento da sua vida de vestibulando, você já deve ter se indignado com o fato de, além de precisar estudar uma quantidade enorme de matérias, ainda ter que desenvolver uma redação de primeira qualidade. Calma, você não está sozinho nessa!

Vamos apresentar algumas técnicas de como revisar um texto e aprimorar suas redações para que, na hora da prova, você esteja cheio de confiança e preparado para entregar uma redação épica.

Lembre-se que o segredo para fazer uma redação também é treinar bastante e aperfeiçoar sua escrita a cada texto produzido. Não adianta apenas escrever um monte de redações se você não identificar os pontos a melhorar e trabalhar neles. Vamos lá!

Veja se a redação está dentro do tema proposto

Um erro muito comum em provas de vestibular é a fuga do tema proposto pela banca. Isso acontece normalmente porque o estudante se distrai durante a escrita e perde o foco na proposta ou porque se baseia demasiadamente em algum texto de apoio que não representa necessariamente a proposta de tema como um todo.

Se o texto fala sobre “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado” (tema da redação do Enem em 2011), não adianta centrar todo o conteúdo da redação nas inovações da tecnologia nas últimas décadas, pois, embora sejam temas que se comuniquem, não se tratam da mesma proposta.

Outro aspecto importante são as instruções da redação, que também possuem orientações sobre como o texto deve ser desenvolvido. O Enem, por exemplo, sempre pede que se apresente uma proposta de intervenção que não fira os direitos humanos e muita gente perde por não dar atenção a esse detalhe.

Dê atenção para a coesão

Coesão textual é como chamamos a sequência lógica de argumentos e de pensamentos expostos em um texto, ou seja, o seu texto deve fazer sentido do início ao fim e deve manter uma sequência de ideias que faça sentido. Na pressa de produzir uma redação, é comum que o vestibulando acabe perdendo a coesão do texto e, dessa forma, ele não fará muito sentido na hora da correção.

A principal pergunta na hora de revisar a coesão do seu texto é: “essa redação faz sentido para outras pessoas além de mim?”. Seja honesto na sua resposta e, se ela for negativa, faça as modificações necessárias para mudar isso.

Além disso, veja se seus argumentos são suficientemente bons, ou seja, se não são rasos e nem clichês. Argumentos clichês tornam a redação pobre de conteúdo, e isso impacta negativamente na sua nota.

Mude a estrutura das suas frases

É comum adotar um estilo de escrita e mantê-lo durante toda a construção da redação, mas é recomendável variar o formato das frases para não tornar a leitura do texto cansativa. Procure substituir algumas palavras por sinônimos e mudar a estrutura de alguns trechos (mudando a posição do sujeito, por exemplo), para construir um estilo de escrita próprio.

É claro que tudo isso deve ser feito de acordo com as regras de gramática, e nessa hora, a ajuda de um professor de português é essencial. Faça muitas redações antes da prova, procure aprimorar sua escrita, e leia também redações de outras pessoas (aquelas que tiraram boas notas) para buscar inspiração.

Verifique a pontuação e a gramática

Sua pontuação está bem aplicada? O primeiro ponto a observar é o uso da vírgula, que pode estar presente em excesso ou com faltas. Ajuste suas vírgulas de forma que a leitura do texto seja agradável e dinâmica, sem muitas pausas mas, ainda assim, de forma que o leitor consiga respirar.

Veja se todas as palavras estão acentuadas de forma correta e se as palavras que iniciam com letra maiúscula estão certas. A gramática também é fundamental para uma redação de sucesso.

Dê atenção especial aos homônimos e aos parônimos, aquelas palavras que possuem pronúncia ou grafia semelhante mas significado diferente. Comprimento é diferente de cumprimento, assim como estória e história, eminente e iminente, entre vários outros exemplos.

Leia seu texto em voz alta

É claro que na hora da prova você não fará isso, mas nas redações de preparação, procure ler o seu texto em voz alta. Isso ajudará você a identificar os pontos que precisam de melhoria e que, muitas vezes, passam despercebidos quanto lemos silenciosamente.

Quem lê em voz alta precisa necessariamente prestar mais atenção no texto, e essa concentração extra ajuda a detectar erros e trechos mal escritos. Anote todas as mudanças necessárias e aplique-as, depois, leia novamente em voz alta e repita o processo até achar que o resultado é agradável e a leitura flui bem.

O estudo para vestibular antes da prova

O grande dia está chegando! Todo esse esforço será testado em uma prova de quatro ou cinco horas e você já sente a pressão do momento. Mantenha a tranquilidade, pois ela é fundamental para realizar uma boa prova — quando ficamos nervosos, perdemos a clareza do pensamento e tudo fica mais difícil.

Os últimos dias antes da prova de vestibular não devem ser descartados. Por isso, veremos algumas dicas para estudar nesse último período e aumentar suas chances de sucesso.

Use e abuse dos seus resumos

Nessa hora, todo aquele material de resumo que você desenvolveu durante os estudos será mais importante do que nunca. Os últimos dias antes da prova devem ser dedicados a revisar os conteúdos mais importantes para chegar com eles fresquinhos na memória.

Dê um foco maior nas disciplinas mais importantes

É comum que vestibulares atribuam pesos diferentes para as disciplinas dependendo do curso em que você quer ingressar. Dê uma boa olhada no edital e, nesse momento final, foque nas disciplinas com maior peso, já que isso pode ser decisivo na hora da classificação.

Monte um roteiro de revisão específico para a reta final

Essa fase dos seus estudos demanda um roteiro específico, que determine quais conteúdos serão revisados em cada dia e por quantas horas. Organize-se e evite estudar aleatoriamente, assim, você otimiza o seu tempo e se dá melhor na hora da prova.

Não deixe de descansar

Por toda pressão envolvida e a necessidade de lidar com tantos conteúdos diferentes, o vestibulando pode acabar negligenciando suas horas de descanso. Não caia nesse erro! Determine algumas horas para lazer e descanso, até porque, fazendo assim, seus estudos fluirão de uma maneira melhor — lembre-se que ninguém consegue estudar para o vestibular estando estressado.

O fundamental é encontrar um equilíbrio entre as horas de descanso e lazer e as horas de estudo. Fazendo dessa forma e seguindo nossas dicas, você, com certeza, conseguirá um bom resultado na hora da classificação. Bons estudos!

E você? Como você organiza os seus estudos? Conhece alguma outra técnica de revisão? Estamos curiosos para saber: conta pra gente nos comentários.